Apaixonado:
Não me venhas com as luzes
trêmulas da paixão primeira
nem me prometa o sol
em seu sensual vestido de ouro.
Não insistas que tua seta reluz
em brilho duradouro
e seduz namorados a cantarem à luz da lua,
pois sei de teus poderes
pequeno deus,
tu é que não sabes dos meus.
Cupido:
Não queiras pensar que tanto sabes
homem que vive sob máscaras,
nem sentirias em tuas próprias carnes,
é bem verdade, a seta flamejante
e certeira, que transpassou as eras
e fez-se ardência calma em tuas entranhas.
Agora, soa-te estranha
esta seta cravejada na alma.
Apaixonado:
Não venho e não quero negar-te!
Antes, quero tocar-te com respeito a aljava
esta seta de retidão certeira que não erra
mas não surte efeito quando o peito é de pedra!
E assim eu era! O raio de sol preso em tua flecha
transpassou a única fresta possível,
só porque eu havia aberto as janelas da alma ao sensível
canto de outra alma, que à minha se fez presa.
Cupido:
Desfazes ainda da minha exata força
não vês sob teus olhares improfundos
que dentro de ti mesmo eu vivera
sob a égide de deus do teu mundo.
Nesse, onde te habitam poemas e orvalhos
e, mais além dos porões de tua alma, moram
pobre alma, escancarada arde sob a mira das certeiras flechas
embebidas nuns olhos que teu amor afloram
Mas, nem assim, sob meu domínio,
Percebes,
que já de outras existências era o teu destino.
(parceria Mauro e Vanne)
Nenhum comentário:
Postar um comentário