terça-feira, 22 de julho de 2014

DIÁLOGO

Apaixonado:
Não me venhas com as luzes
trêmulas da paixão primeira
nem me prometa o sol
em seu sensual vestido de ouro.

Não insistas que tua seta reluz
em brilho duradouro 
e seduz namorados a cantarem à luz da lua, 
pois sei de teus poderes
pequeno deus, 
tu é que não sabes dos meus.


Cupido:
Não queiras pensar que tanto sabes
homem que vive sob máscaras,
nem sentirias em tuas próprias carnes,
é bem verdade, a seta flamejante 
e certeira, que transpassou as eras
e fez-se ardência calma em tuas entranhas. 

Agora, soa-te estranha
esta seta cravejada na alma.


Apaixonado:
Não venho e não quero negar-te!

Antes, quero tocar-te com respeito a aljava
esta seta de retidão certeira que não erra
mas não surte efeito quando o peito é de pedra!

E assim eu era! O raio de sol preso em tua flecha
transpassou a única fresta possível, 
só porque eu havia aberto as janelas da alma ao sensível
canto de outra alma, que à minha se fez presa.


Cupido:
Desfazes ainda da minha exata força
não vês sob teus olhares improfundos
que dentro de ti mesmo eu vivera 
sob a égide de deus do teu mundo.

Nesse, onde te habitam poemas e orvalhos
e, mais além dos porões de tua alma, moram
pobre alma, escancarada arde sob a mira das certeiras flechas
embebidas nuns olhos que teu amor afloram

Mas, nem assim, sob meu domínio, 
Percebes,
que já de outras existências era o teu destino.

(parceria Mauro e Vanne)

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