sexta-feira, 1 de agosto de 2014

.Maior Angústia

Quero três coisas da vida:
amores que recomecem,
pessoas que a alma aqueçam
e poesia que a alma tece.

Dessas todas, eu diria,
há uma que prevalece,
é toda minha utopia,
sem ela o corpo padece.

Não é a falta do amor,
tampouco a alma vazia,
é essa angustiante dor
da vida sem poesia.

(Vanne)

sexta-feira, 25 de julho de 2014

AS COISAS QUE EU PRECISO

não são dos deuses que falham, nem  das parcas utopias
não são das palavra ditas, nem da calma fugidia
o que eu preciso são memórias nos versos da poesia

não são das mortas falácias, nem dos atalhos arranjados
não são das vaidades plenas, nem dos começos terminados
o que eu preciso são escolhas para os caminhos andados.

não são dos duros fracassos, nem das boas intenções
o que eu preciso são certezas das minhas convicções.

preciso ser eu
ser a mesma gente
das gentes que andam
das gentes que comem
das gentes que amam
das gentes que fingem
das gentes que penam  ... pois as coisas que eu preciso só cabem neste poema!

(Vanne)

terça-feira, 22 de julho de 2014

O que me alimenta


Amo-te de uma imensa maneira
de causar inveja ao amor e aos poetas
porque nem os que decantaram amores 
sabem a força tamanha deste que em mim se projeta. 
 
Quero você como se quer uma tarde serena
nas sombras amenas, sem nada pra fazer
quero, como se quer saborear a vida,
como corpo sedento pela água e pelo alimento.
 
Amo-te de um jeito tranquilo, mas amo também com anseio 
como o pranto que cai sem receio
quando dúvidas e temores se achegam em dores.
 
Amo-te nos minutos do meu dia, nas horas da minha vida
em toda a falta do meu tempo, 
nos meses que seguirão, e além, 
em cada existência vivida.
 
Tenho vontade de você por perto
por isso qualquer distância me faz sofrer 
e meu alento é saber que diante da nossa inconstância
esta existência ainda é pouca para o que iremos viver.
 
Meu parceiro sem nenhum defeito
Meu poeta das palavras perfeitas
meu homem pelo amor eleito
meu amigo das horas bem feitas.
 (Vanne)

DIÁLOGO

Apaixonado:
Não me venhas com as luzes
trêmulas da paixão primeira
nem me prometa o sol
em seu sensual vestido de ouro.

Não insistas que tua seta reluz
em brilho duradouro 
e seduz namorados a cantarem à luz da lua, 
pois sei de teus poderes
pequeno deus, 
tu é que não sabes dos meus.


Cupido:
Não queiras pensar que tanto sabes
homem que vive sob máscaras,
nem sentirias em tuas próprias carnes,
é bem verdade, a seta flamejante 
e certeira, que transpassou as eras
e fez-se ardência calma em tuas entranhas. 

Agora, soa-te estranha
esta seta cravejada na alma.


Apaixonado:
Não venho e não quero negar-te!

Antes, quero tocar-te com respeito a aljava
esta seta de retidão certeira que não erra
mas não surte efeito quando o peito é de pedra!

E assim eu era! O raio de sol preso em tua flecha
transpassou a única fresta possível, 
só porque eu havia aberto as janelas da alma ao sensível
canto de outra alma, que à minha se fez presa.


Cupido:
Desfazes ainda da minha exata força
não vês sob teus olhares improfundos
que dentro de ti mesmo eu vivera 
sob a égide de deus do teu mundo.

Nesse, onde te habitam poemas e orvalhos
e, mais além dos porões de tua alma, moram
pobre alma, escancarada arde sob a mira das certeiras flechas
embebidas nuns olhos que teu amor afloram

Mas, nem assim, sob meu domínio, 
Percebes,
que já de outras existências era o teu destino.

(parceria Mauro e Vanne)

domingo, 20 de julho de 2014

Incógnitas

Deus, por que não me deste asas
para subir mais alto do que estas poças rasas?

Por que não me deste opção
para sair de cena deste mundo de encenação?

Estou cansada desta vida medida
Estou exausta da mesma partitura
Estou exaurida da cena ensaiada
Extenuada das mesmas posturas

Deus, por que tanta hipocrisia
num mundo já morto que anestesia?

Eu e minha velha mania de achar que as máscaras 
são arrancadas pela poesia!

Eu e minha velha crença de tentar explicações 
em um deus sem consistência!

(Vanne)

Poema para passar a tarde



Fora, os sorrisos e mais todo o alheamento
dentro, os gemidos, mais todos os tormentos
e em silencio todo sorriso gritava
e em murmúrio todo gemido calava

enquanto a tarde emudecia serena
enquanto a alma entristecia pequena...

(Vanne)

sábado, 19 de julho de 2014

IMPRESSÕES



Minhas marcas têm seu corpo
os meus beijos têm seus lábios
e não são poucos os desejos
que na saudade naufragam

o meu cheiro tem sua pele
minha imagem tem seus olhos
e a solidão que deixaste
queixa-se pelos meus poros

quem me vê tão sem você, não crê
pois ainda somos!
(Vanne)

Prece

A acidez ficou nas mãos
que traça o poema
ficou no traço mal feito 
dos passos e atalhos
do tempo em coalhos

não tenho nada
que outro poeta não tivesse:
este poema turvo
estas mãos vazias
esta prece...

(Vanne)

Urgências

qual é o tempo que me resta neste mundo
e quão profundo eu ainda vou ir além de mim?

terei dias, terei tempo para os meus poemas
e para os dilemas restantes, que farei?

não sei se o meu tempo basta ou é tão pouco
não sei se este grito rouco que silenciei me denuncia.

por isso levo esta cara de sorriso fácil por fora
e vou-me embora, talvez assim, disfarçando-me.

mas por dentro vou levando esta voz que silencia
vou matando o que faltou, resumindo-me.

o que ficará serão uns poucos desencantos
quem sabe uns poemas em algum canto com letras acesas
que morrerão comigo, sentados nesta mesma mesa. 

(Vanne)

Esperas

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Diálogo de Poeta

.
Toda via é sem saída
todavia, sempre há portas
que ficarão entreabertas
descerradas nos dedos do poeta

todo animal tem seu homem
tem sua fome e seu "ânimus"
toda fadiga que o consome
e todo dia há de ser lobo ou homem

devorador de si
devorador das sedes
do sangue das gentes.

E só se redime nas almas que sentem
a sua agonia escrita, a vida corrente aflita
descrita nos poucos poemas que não mentem.

(Vanne)