sábado, 19 de julho de 2014

IMPRESSÕES



Minhas marcas têm seu corpo
os meus beijos têm seus lábios
e não são poucos os desejos
que na saudade naufragam

o meu cheiro tem sua pele
minha imagem tem seus olhos
e a solidão que deixaste
queixa-se pelos meus poros

quem me vê tão sem você, não crê
pois ainda somos!
(Vanne)

Prece

A acidez ficou nas mãos
que traça o poema
ficou no traço mal feito 
dos passos e atalhos
do tempo em coalhos

não tenho nada
que outro poeta não tivesse:
este poema turvo
estas mãos vazias
esta prece...

(Vanne)

Urgências

qual é o tempo que me resta neste mundo
e quão profundo eu ainda vou ir além de mim?

terei dias, terei tempo para os meus poemas
e para os dilemas restantes, que farei?

não sei se o meu tempo basta ou é tão pouco
não sei se este grito rouco que silenciei me denuncia.

por isso levo esta cara de sorriso fácil por fora
e vou-me embora, talvez assim, disfarçando-me.

mas por dentro vou levando esta voz que silencia
vou matando o que faltou, resumindo-me.

o que ficará serão uns poucos desencantos
quem sabe uns poemas em algum canto com letras acesas
que morrerão comigo, sentados nesta mesma mesa. 

(Vanne)

Esperas